sábado, 12 de fevereiro de 2022

Hoje acordei azul

 Quando o dia acorda estranho eu sempre corro pro meu calendário para ver qual parte do mês estou, se tem algo a ver com período menstrual e tal.

Hoje acordei estranha, meio pra baixo, meio desanimada, e acordar nesses dias que a gente só quer ficar quietinha, mas ter que trabalhar num lugar que preciso conversar e ser agradável é um imenso esforço, e a energia que eu já acordei sem, eu tenho que focar em fazer meu trabalho.

E é engraçado como tem dias que só são ruins mesmo, nada aconteceu pra nos sentirmos assim.

Ontem eu estava de folga, mas meu dia foi um saco. Não fiz nada o dia todo e não tinha nada legal pra assistir. 

"Ah, Nicole, mas então porque você não sai e vai dar uma volta?".

Gente, os dias estão cinza e frios há semanas, quem anima colocar uma penca de roupa pra andar la fora e ter perigo de cair porque o gelo ainda não derreteu e está tudo molhado e escorregadio? Nemmmmmm.

É phoda, porque eu mudei de mood de um dia pra outro. Eu estava de boassa de ficar em casa e não sair, tanto que janeiro eu mal desci pra ir na caixinha de correio e estava super tranquila, mas aí do nada eu estou num tédio monumental. Mas não só tédio, estou pra baixo também, meio angustiada, sei lá, e esses dias eu fico pensativa e é um saco, porque começo a pensar num monte de coisa ruim que não deveria estar pensando. Acho que a ansiedade vem bater na porta como quem diz "não ache que eu fui embora não, bonita, eu estou só na espreita aqui", e isso é um saco.

Eu me sinto levemente perdida, sabe, não sei. A pandemia veio para mostrar que as coisas não são certas e planejamento não resolve muita coisa. A gente já sabia disso, tem a famosa frase "você faz planos e Deus ri", mas eu ainda acreditava que planos e planejamento nos deixava o mínimo seguros para ir correr atrás das coisas, mas é uma ilusão enorme. 

Acho que estou assim porque estou cansada de esperar. Eu tenho esperado tanto tempo. Ser imigrante é um eterno esperar e isso satura às vezes.

Em inglês a gente diz que estamos blue quando estamos pra baixo, então é isso, hoje acordei azul.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Sexta-feira (pra mim)

É muito engraçado como eu funciono quando eu estou trabalhando. 

Ahhh, não comentei, mas estou trabalhando, povo. Sim, comecei no dia 8 de novembro, mas não vou me aprofundar muito nisso não, só tinha que situar vocês para entenderem a situção atual.

Voltando...

Hoje é sábado pra mim e quinta para as outras pessoas (inclusive Kalil está trabalhando hoje). Eu tenho MUITA energia quando eu trabalho, é engraçado.

Eu fiquei um ano e meio sem trabalhar e ficava o dia todo atoa e sem energia pra nada, o que é irônico porque eu não gastava com nada, então teoricamente eu devia estar com energia sobrando, ne, mas agora que eu estou trabalhando e já estou gastando energia com isso, é estranho como eu tenho energia sobrando, parece que meu corpo gera energia quando vê que eu estou gastando e para de produzir quando eu não estou.

Mas por que estou falando tudo isso? Porque hoje é sábado pra mim, mas acordei às sete da manhã (mainly porque o despertador do Kalil acordou a gente, mas eu podia ter continuado a dormir e não consegui porque meu corpo já acostumou a acordar esse horário) e fiquei fazendo hora na cama e só levantei depois das nove... Mas, meu leitores (três pessoas hahahah parece até que estou falando com mil pessoas, ne! Só tem três pessoas que eu sei que me leem aqui regularmente, o restante dos views provavelmente é gente que caiu aqui de paraquedas), eu levantei e arrumei uma energia, olhei ao redor e pensei: "O que eu vou fazer hoje?".

Umectei meu cabelo (pra quem não sabe é bezuntar o cabelo de óleo pra umectar, uma espécie de hidratação), fui aspirar o sofá, lavar roupa, arrumei cozinha, lavei cabelo, tenho um vídeo pra editar (oi, Amiga) e isso tudo à base de sertanejo no fone e vinho na taça.

Nem acredito que estou me sentindo viva assim, gente, depois de tanto tempo! Estou pra vir aqui atualizar e falar um pouco sobre isso, mas eu estava realmente ficando esgotada do trabalho (cof cof cof) e sem inspiração pra escrever, mas hoje me senti feliz e quis dividir com vocês essa animação que eu estou sentindo por estar trabalhando e fazendo faxina num sábado hahahaha


É só isso, gente! Beijos!

ps. 2021 ficou bom nos 48 do segundo tempo (pra mim... e pra você, né, Amiga S2)

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Reflexões de aniversário

Minha terapia costuma ser às sextas feiras, mas essa semana decidimos nos encontrar por meia horinha para a gente poder comemorar, porque hoje eu faço um ano de terapia, um ano que tenho Rita na minha vida e um ano que eu comecei a entender mais sobre mim com a ajuda dessa santa.

Tiramos nossa primeira foto juntas e a Rita trouxe até 
um bolinho pra nossa sessão pra comemorar.

Ela me perguntou como foi meu aniversário (que foi domingo, povo! Parabéns pra mim!!) e como estou me sentindo um ano mais velha.

Eu amo aniversário, me sinto bem e feliz todo ano (exceto quando estou no meu inferno astral que me sinto PÉSSIMA, porém dura um ou dois dias apenas), mas no dia estou sempre animada e pronta pra receber toda a atenção possível, mas esse ano foi bem diferente.

Eu não estava nem lembrando que meu aniversário estava chegando e estava super desanimada. No sábado eu e a Flavinha (oi, Amiga) tivemos um date e eu estava meio estranha e com dificuldade para me expressar, várias vezes me peguei com dificuldade de encontrar palavras e de explicar o que eu queria dizer. Quando deu meia noite o Kalil veio todo feliz me dar parabéns e eu nem me levantei do sofá, estava me sentindo pra baixo e não querendo falar sobre meu aniversário.

Acordei no domingo tentando forçar animação, mas no fundo só queria que o almoço com nossa turma passasse logo pra eu poder voltar pra casa e me esconder no sofá atrás de Gilmore Girls (voltei a assistir e não paro de reclamar o quanto todos os personagens são chatos kkkkk pra que então estou assistindo? Pois é, não sei, acho que é só pra reclamar deles mesmo e ficar xingando todo mundo com a Cath).

Mas aí fomos para o almoço e foi MARAVILHOSO!!!! Me senti TÃO feliz! A turma tava toda lá (menos Bruana e as meninas porque estão de quarentena já que a sogra chegou do Brasil), e foi leve, a gente conversou, riu, cantamos parabéns, comemos bolo, eu tomei cerveja, o dia tava ensolarado e com o céu azul sem nuvens, Andrégis foram e a gente não se via desde fevereiro de 2020.

Em tempos de pandemia não se sopra mais vela, 
a gente faz o pedido desfazendo o laço que segura o bolo.

Da esquerda pra direita: Diego, Teles, Nath, eu, Kalil, 
Cath, Talis, Aline, Cecília, Thiago, Régis e Andressa.

Cheguei em casa bebinha feliz e a Carine me ligou e ficamos no telefone um tempão, vi a Duda comendo sozinha com as duas mãos (teremos uma canhota ou uma destra???); aí a Thau me ligou e ficamos umas duas horas batendo papo;  depois a Ju me ligou e conversamos um tempo também... Recebi ligações, stories de parabéns nos stories, carta, cartão, mensagem no wapp, o melhor vídeo do mundo da Tata e do Henrique tentando dar parabéns e o Be chorando, com bico caindo no chão, um caos total que eu quase morri de rir...

Foi um dia que, assim como todos os outros, eu me senti muito amada, e quando a gente está pra baixo (e menstruada, de TPM e a cara toda estourada de espinha) é o que mais a gente precisa. 

No final das contas eu tive um aniversário MUITO feliz!

Porém, a segunda pergunta da Rita sobre como estou me sentindo com um ano a mais teve a resposta de que não estou sentindo nada. Geralmente eu sinto alguma mudança, porque eu sempre espero meu aniversário ansiosamente então me condiciono a sentir alguma mudança, esse ano como foi atípico eu acabei não sentindo nada.

Não sei se é porque 2021 foi HORRÍVEL, mas não estou nem lembrando que meu aniversário foi há dois dias atrás. Todo ano eu fico tacando na cara do Kalil que ele tem que me respeitar umas duas semanas antes do dia e até o dia 27 (porque 28 é o dia dele e aí eu que tenho que respeitar ele, ne), mas esse ano eu to bem phodas mundo mesmo.

Outro dia perguntei pro Kalil o que foi a melhor coisa que aconteceu pra ele em 2021 e ele disse que nada. Perguntei a mesma coisa pra Flavinha e ela também não conseguiu me responder. E é exatamente o que eu sinto, nada foi bom esse ano, pelo contrário, tudo foi uma grande merda.

2020 foi péssimo, mas eu fui ao Brasil e eu fiquei MUITO feliz (apesar de ter ficado presa sem saber quando eu voltaria, não me deu trauma nenhum e eu voltaria amanhã se pudesse) e a gente mudou pro melhor apartamento possível (o apê em si e o fato de termos Catalis como vizinhos), então tive movimentações, mas 2021 foi um ano que nada aconteceu, e quando eu falo nada, é NADA REAL!

A Rita me falou que foi um ano pra eu olhar mais pra mim, pra eu me conhecer mais, pra eu pensar mais, e talvez seja verdade, sabe. Desde que viemos pro Canadá que minha vida não é mais normal, que não sou eu mesma, que eu estou em constante medo e apreensão, aí veio pandemia e on top of that eu ainda me tornei cínica e pessimista e com crises de ansiedade que eu nunca tive antes, então eu comecei a não mais me reconhecer, não conseguia mais me ver, e eu consegui perceber isso agora em 2021, então talvez esse seja o ano de eu perceber o que eu perdi de mim e tentar retomar, meio que me curar de 2020 e desses quatro anos de Canadá.

Eu sinto muita saudade de mim. Estressada sempre fui, mas o estresse desde que vim pra cá é outro, é exaustivo. 

Eu tenho conseguido aos poucos a voltar a ser eu, lógico que uma Nicole diferente com 30+, imigrante, casada, sem tomar remédio, mas eu tinha perdido minha essência. Sinto que nos últimos meses tenho conseguido retomar isso. 

Minha vida sempre caminhou muito bem sendo otimista e pensando no lado bom de tudo mesmo quando o mundo esteja caindo na minha cabeça, então é isso que estou tentando voltar a ser, e acho que tenho conseguido.

Espero que esse ano que começa pra mim seja isso, um ano para eu voltar a ser quem eu tenha orgulho de ser, uma pessoa que encare as dificuldade com mais leveza e que pare de sentir pena de si mesma, porque apesar de não ser fácil, é um privilégio DA PORRA e um desperdício GIGANTE ficar jogando esses anos no lixo chorando pelos cantos (chorando no sentido figurado, porque graças a Deus a fase chorona passou) e justificando meu baixo astral.

domingo, 10 de outubro de 2021

Simples momentos de felicidade

 Eu adoro passar aqui e fazer mil reclamações, né!? Mas dessa vez eu quero compartilhar uma coisa super simples e que eu nunca pensaria que faria tanta diferença na minha vida.

Aqui no Canadá as casas não tem janelas como tem no Brasil, meio que não precisa muito também porque ou está muito frio e precisamos ligar o aquecedor, ou está muito quente e precisamos ligar o AC. Mas aqui em casa, por exemplo, temos a porta da varanda e duas janelas basculantes nos quartos, mas são pequenas e ficam embaixo. 

No Brasil temos janelões que ficam abertos e aquele ventinho gostoso entra dentro de casa no verão e deixa fresquinho e é LÓGICO que nunca dei muita importância, porque o que é normal e comum na nossa vida a gente não valoriza, ne.

Em inglês tem uma expressão maravilhosa que é TAKE FOR GRANTED, que é tomar como certo, uma coisa que já temos, mas que o sentido é que a gente não valoriza mesmo, que é uma coisa que já está ali (eu tenho muita dificuldade de explicar essa expressão e o Kalil demorou um tempo pra conseguir me fazer entender, porque não temos uma expressão parecida em português).

Aí estamos em outubro, teoricamente era pra começar a ter esfriado já, está até mais fresco, mas não frio, e o prédido já desligou o AC central e não temos mais ele ativo dentro dos apartamentos, e como as casas aqui são preparadas para manter o aquecimento dentro por causa do frio intenso, está mais quente dentro de casa que do lado de fora, e nossa solução foi abrir tudo pra tentar refrescar.

Então as mini janelas dos quartos estão abertas e a porta da varanda também, sem contar que as portas dos quartos que geralmente ficam fechadas também estamos mantendo abertas para o ventinho correr e ter corrente de ar. 

Gente! O quanto isso está gostoso vocês não tem ideia!!! Ontem eu e Kalil estávamos no sofá vendo filme e um ventinho entrando e batendo no meu cabelo, lá fora estava chovendo e eu tive um momento de felicidade e de paz que há muito tempo eu não tinha. E na noite anterior foi a melhor noite dormida dos últimos meses também. Olha que coisa simples! 

Mas a vida é assim, né?! Momentos felizes e bons geralmente são os mais simples e que a gente não dá muita importância e não liga muito, mas que no final é o que faz a vida valer a pena ser vivida.

ps.: vocês podem ver que estou numa fase boa, que tenho me sentido bem melhor e mais pra cima. Torcer pra ficar assim!

Beijo, povo! FUI!


quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Verão está se despedindo

 O feriado de Labour Day é na próxima segunda feira e é geralmente nessa época que o verão começa a dar sinais de estar indo embora. É nesse fim de semana prolongado que costuma ser o último fim de semana muito quente, mas esse ano parece que as coisas estão diferentes.

Desde ontem, 31 de agosto, que a gente começou a sentir um ventinho mais fresco e aquele calorão das semanas anteriores não estava mais aqui. Mas o dia estava muito lindo , com um céu azul e um solão apesar de frequinho. Inclusive o dia de ontem foi muito gostoso. Eu acordei de bom humor (POIS EH!!!! Também me surpreendeu) e decidi que ia pra downtown sozinha resolver umas coisas. Foi um dia TÃO bom. Cheguei lá por volta das onze e fiquei andando pela Queen Street W. fazendo minhas coisas, e consegui fazer tudo. Fiquei ouvindo podcast (Episódio: Briga apimenta relação? do Calcinha Larga) e quando acabou fiquei ouvindo minha playlist brasileira. Aí sentei num Starbucks e fiquei tomando uma limonada de Açaí com Morango geladinha. Ai, que delícia que foi. Tinha tanto tempo que eu não saía assim, acho que tinha esquecido o quanto gosto de fazer coisas sozinha (engraçado que eu li um post meu antigo daqui e nele eu falava o quanto fazer coisa sozinha era chato. Acho que essa independência eu criei depois que cheguei no Canadá).

Olha que dia lindo!

Voltando a falar do verão indo embora...

Então hoje, dia primeiro de setembro, o dia começou bem mais fresquinho, arrisco a falar mais friozinho. A Cath comentou que foi trabalhar de sweater, inclusive.

Eu falo sempre que amo o calor, né, e sempre que ele vai embora (ou começa a ir) eu fico um pouco triste porque amo a sensação de sair de camiseta, de shortinho e de vestido é muito boa, mas confesso que fico ansiosa também com essa época mais fria chegando quando eu posso voltar a usar calça jeans (amoooo jeans) e sweater, sem contar que quando o verão se despede, o outono dá o ar da graça e essa é minha época preferida do ano, porque a cidade fica MARAVILHOSA e é sinônimo do meu aniversário estar chegando também. Então é uma tristeza excited com o que está por vir também!
Mas é estranho, porque esse ano está diferente e eu não queria que o verão fosse embora. É a primeira vez desde que chegamos aqui que eu fico triste que o frio está chegando (engraçado como 2021 está sendo um ano mais difícil pra mim que foi 2020, e isso resulta numas sensações estranhas assim).

Mas é isso. Agosto foi embora voando, quando chegou a gente piscou e ele acabou, e com ele o calor. Vou torcer para ter uns dias em setembro BEMMMM quentes ainda para eu poder despedir oficialmente do verão e me preparar para o inverno.

Era só isso mesmo, people! Um beijo e fui!

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Minha maior mudança morando fora

Estava eu aqui escrevendo para minha cápsula do tempo (vou falar sobre isso em outro post) e precisei lembrar de uma coisa, mas que aconteceu na era pré pandemia, o que parece que faz muito tempo, então eu meio que não me lembro exatamente como algumas coisas aconteceram e a ordem, então vim no blog para ver se eu tinha escrito sobre para que eu conseguisse me lembrar. Achei o post (obrigada, Nicole do passado), fui ler e percebi umas coisas.

Eu sou uma pessoa que mudou MUITO desde que vim para cá. Acho que é esperado isso das pessoas, né, inclusive a Cath falou uma frase nesse fim de semana para mim que eu achei GENIAL e provavelmente me lembrarei dela eternamente (e se eu não lembrar, escrevo aqui e venho consultar kkkkkk): "é necessário sair da ilha para ver a ilha". Amei DEMAIS essa frase. Deixa eu contextualizá-la.

Nós duas saímos no sábado para bater perna no Yorkdale (shopping) - o que temos feito com muita frequência e eu tenho amado (sair pra bater perna, não ir ao shopping). Eu sentia muita falta de ter amigas para sair e poder ter um tempo fora de casa sem o Kalil - e quando nós estamos juntas a gente não para de falar um minuto, conversamos O TEMPO INTEIRO, a garganta até seca, e é muito fácil conversar com ela sobre tudo mas principalmente sobre nossa vida aqui, porque as duas são imigrantes e nosso histórico é muito parecido, então a gente se vê uma na outra, a gente sente/sentiu as mesmas coisas e se entende.

Estávamos falando sobre nossas mudanças depois que viemos para cá, sobre como lembrar do nosso tempo no Brasil é estranho, porque muito do que fazíamos e pensávamos já mudou muito, e que essa é com certeza a maior mudança que tivemos.
O brasileiro é muito crítico, julga muito, fala muito das pessoas e isso é o que mais incomoda a gente hoje dia.

Quando eu estava para ir ao Brasil, a Cath me preparou para as pessoas se sentirem livres e confortáveis para falarem do meu corpo, do meu cabelo e principalmente sobre meu peso. Isso sempre foi uma coisa que todo mundo fez, mas depois de três anos não vivendo isso, quando aconteceu foi realmente um incômodo engraçado.
É lógico que elogiar, falar como a pessoa está bonita é normal, e a gente faz mesmo, mas o brasileiro fala de um jeito diferente e constantemente se acha no direito de falar mal e dar opinião.
Eu sou da teoria (hoje em dia) de que se não for para falar bem, não fale nada, e hoje em dia eu me recuso a falar QUALQUER COISA SOBRE O PESO DAS PESSOAS. Magreza não tem que ser sinal de beleza e uma pessoa gorda não é feia.

Quero deixar claro que eu fui exatamente essa pessoa que hoje em dia me incomoda, a que tinha o discurso de que "tudo bem a pessoa ser gorda, mas ela tem que se vestir de acordo, não pode vestir isso ou aquilo".
Gente!!! Por que não??? E quem sou eu para ter opinião sobre a roupa e o corpo da OUTRA pessoa?

Eu já fui a pessoa que notava a roupa dos outros no shopping e comentava "como que aquela pessoa teve coragem de sair de casa assim? Não tem amigos pra falar pra voltar e se arrumar?". Sou inclusive a pessoa que achava ruim de o Kalil me buscar em casa de camiseta, e chinelo era motivo de brigar e falar "pelo amor de Deus! Chinelo???". 
Olha que absurdo! 
Hoje em dia que eu não ligo mais pra roupa que o Kalil sai comigo, o que importa é ele estar confortável, se ele vai de chinelo ou de regata não é da minha conta, mas vejo os efeitos do que eu fiz com ele.
Sempre que saímos ele coloca blusa de manga e tênis quando lá fora tá mil graus e um calor infernal, porque ele traumatizou com meu ideal de roupa pra sair quando a gente namorava. Eu tenho que falar pra ele "mo, vai lá se trocar, coloca camiseta porque está muito quente e você vai suar mais com essa blusa aí", ou então "vai de chinelo pro seu pé respirar um pouco, mo, ta muito quente" (disclaimer: faço isso porque sei que é o que ele queria, ta, não é porque estou decidindo por ele não).

Agora deixa eu explicar a frase "é necessário sair da ilha para ver a ilha".
A gente só consegue ver esse tipo de atitude que a gente tinha, e que os brasileiros ainda tem, porque a gente se afastou e mora em um lugar em que esse tipo de coisa não é aceito e não é normal. Eu tive que sair do Brasil para aprender que o que eu cresci achando ser o normal é, na verdade, muito errado e tóxico. 

E por que eu estou fazendo um post inteiro falando sobre isso?
Porque eu sofro com essas críticas e julgamentos até hoje em TUDO que acontece comigo.
Eu sou uma pessoa que se preocupa muito com o que os outros pensam de mim e muito disso é porque eu fui a pessoa que criticava TUDO e TODO MUNDO, então tudo o que eu faço, ou falo, ou visto eu penso que vai ter uma Nicole falando mal, chamando de ridícula, de sem noção.
Meu inglês eu considero horrível e eu fico insegura até hoje (e creio que sempre ficarei), porque sou a pessoa que falava "mas fulano mora fora há X anos e até hoje não é 100% fluente? Até hoje tem esse sotaque carregado?". Eu julgava o inglês DOS OUTROS, eu achava que o inglês DOS OUTROS não éra bom o suficiente (qual régua eu usava? A do meu julgamento mesmo).
Quem morreu e me nomeou a juiza de vocabulário e sotaque e fluência, gente? 
Mas mesmo que hoje eu seja uma pessoa mais decente e tentando sempre melhorar e evitar ao máximo em falar qualquer coisa sobre qualquer pessoa, eu não consigo controlar o que pensam e falam de mim, ne. Então me vejo constantemente me justificando sobre tudo o que eu faço.

Por exemplo, estou sem trabalhar e me pego o tempo todo me explicando para as pessoas COMO SE ISSO FOSSE DA CONTA DELAS!!!! 

Agora que vivo fora é que consigo ver como essa cultura julgadora brasileira não traz NADA de bom para ninguém porque a vida do outro não é da nossa conta.

Só um desabafo mesmo, pessoas. Acho que falei mil coisas e não consegui explicar bem o que eu queria.

Mas só pra finalizar esse post sem pé nem cabeça, vou passar para vocês meu lema e da Cath: DEIXA OZOTO!

Beijo, fui!

Então não vamos medir para os outros com as nossas réguas, combinado?


sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Não me sinto mais sozinha

 Quando viemos para o Canadá em 2017, aquele primeiro ano foi muito difícil, foi uma junção de tanta coisa e muita mudança ao mesmo tempo. Eu e Kalil tínhamos acabado de casar e fomos morar juntos pela primeira vez, eu deixei meus pais, a Mel, meus amigos, meu trabalho, minha língua, minha cultura e todo o resto para trás, então eu me sentia muito overwhelmed (o que acho que é meio que normal quando a gente sai da zona de conforto em todos os setores da vida de uma vez só).

Mas além de todas as essas mudanças que já não eram fáceis de lidar, eu me sentia muito sozinha, mais sozinha do que nunca me senti na vida. Sempre fui uma pessoa rodeada de pessoas. Meus pais sempre perto, meus amigos sempre perto e vir pra cá foi MUITO difícil. Outro dia mesmo eu e Rita conversamos sobre isso e chegamos à conclusão que aquele primeiro ano e a solidão que senti ainda são uma questão muito grande pra mim, ainda é algo que me dói e que tenho que superar.

Eu sou muito intensa e próxima das pessoas, eu me preocupo, eu cuido como posso, eu ajudo quando posso, mas é MUITO MARAVILHOSO quando sinto que eu não dou sem receber de volta, eu sinto esse amor de volta e é uma coisa das coisas mais maravilhosas desse mundo.

Nas semanas difíceis que tive pra trás, eu decidi dar um tempo do Instagram e ia ficar uns três dias fora. Acabou que não senti falta e me senti bem distante daquela confusão que não acrescenta em nada, a não ser na ansiedade e na confusão mental, então hoje faz duas semanas que estou longe (apesar de o Insta ainda estar lá).

Eu não avisei ninguém (só duas amigas que a gente troca meme todo dia) porque pensei que seriam só alguns dias, mas como se estendeu, algumas pessoas notaram minha ausência e vieram me perguntar no Wapp se eu estava bem e eu me senti tão bem e tão amada (o meu objetivo não era fazer as pessoas notarem minha ausência, não sou a pessoa que faz esse tipo de drama).

Paulinha me liga todo mês e ela me mandou mensagem perguntando quando poderia me ligar e eu pedi uns dias porque não estava muito bem. Ela entendeu, me deu conselhos para eu tentar me sentir bem e veio checar se eu estava bem uns dias depois, mesmo que ela tenha dois filhos pequenos em casa pra cuidar. Ela arrumou um lugar no meio do caos da vida para se preocupar comigo e isso me deu um quentinho no coração. Até veio falar que está com saudades de eu falar sobre o tempo aqui e mostrar a CN Tower que ela arrumou um ranço sem sentido.

Tata notou minha ausência e me perguntou se tava tudo bem e agora frequentemente me atualiza das fotos do Be que ela posta e me conta tudo o que anda acontecendo. O pequeno está crescendo tão rápido que é assustador. Ver que a Tata gosta de dividir o crescimento e desenvolvimento dele comigo me fez sentir super amada.

Flavinha (oi, Amiga) veio mais de uma vez conversar comigo e foi só com ela que eu me abri mais e que me ajudou muito. Como eu disse pra ela, não gosto de dividir minhas coisas, mas sempre que consigo me abrir tira um peso de dentro de mim enorme. E com ela eu converso constantemente sobre nossa série de livros (Trono de Vidro, MUITO BOM!!! Recomendo) que lemos junto e sobre um monte de coisas do dia a dia que é ótimo para nos deixar próximas não falando só sobre o que nos deixa mal.

A Laís (uma das meninas que avisei que sairia) veio checar como eu estava mais de uma vez também e foi ótimo conversar com ela. Ela é namorida do René e minha conexão com ela foi quase que instantânea. Geralmente a gente só fala sobre memes, coisas engraçadas e sem importâncias, mas sei ela se importa comigo assim como me importo com ela. Foi gostoso ela tirar um tempinho do dia dela pra vir falar comigo.

A Ju (a outra pessoa que avisei) veio falar comigo também me perguntando como eu tava porque era pra eu ter saído três dias do Insta e não abandonar ele lá pra sempre. Expliquei que a desintoxicação estava fazendo bem e ela disse que concorda que às vezes é necessário fazer isso, ela faria se pudesse (não faz porque ela trabalha com Instagram).

A Ana Paula notou minha ausência também e veio perguntar se estava tudo bem. Eu disse bem por cima que não estava e ela se colocou a disposição para conversar comigo sempre que eu precisasse de um ouvido, o que achei muito lindo. Ele é minha amiga de infância que recentemente nos aproximamos novamente e foi muito legal e especial. 

Então, esse post inteiro foi para mostrar o quanto sou feliz por não me sentir mais sozinha, por eu estar tão longe dos meus, mas que a distância física não significa nada se existe amor. Eu me sinto TÃO amada e isso pra mim é tão importante que quando me sinto mal tento sempre me lembrar que as pessoas se preocupam comigo e que eu faço falta, eu nunca estarei sozinha enquanto tiver pessoas que me amam mesmo de tão tão distante.

Not anymore.