quinta-feira, 31 de maio de 2018

Saudade de quem não volta mais

Muita coisa acontece na vida da gente, o dia a dia é sempre atarefado, a gente está sempre muito cansado, as contas estão sempre vindo para a gente pagar...
Devido a toda a correria da vida, muitas vezes a gente esquece de viver de verdade, a gente deixa de valorizar e de ter consciência do que a gente tem, das pessoas que a gente tem, dos momentos que a gente vive e, quando numa tarde de uma terça (29 de maio) a gente recebe uma notícia triste vinda de longe, a gente se arrepende profundamente de não ter aproveitado mais, beijado mais, abraçado mais, e só o que fica é  o coração doendo, as lágrimas que não param de cair e a saudade de quem não volta mais.


domingo, 27 de maio de 2018

Roteiro Japão

Na vibe do Globo Repórter que fez dois programas maravilhosos sobre o Japão, vou mudar um pouquinho o foco do blog e fazer um post sobre o roteiro que eu e o Kalil seguimos quando fomos para o Japão em 2016.

Posso dizer que o roteiro foi o mais difícil que eu já fiz, primeiro porque eu não conhecia NADA sobre o Japão e não sabia nem por onde começar, e segundo porque quando as pesquisas começaram eu vi que tinha muita coisa para fazer e pouco tempo. 
Eu demorei mais de um mês para conseguir fazer o roteiro e usei uma técnica ÓTIMA que eu inventei.
Eu fiz em uma folha A4 o calendário dos dias que a gente ficava lá e escrevi em post its as coisas que tinham para ser feitas. Eu ia colocando, tirando e recolocando os lugares até achar um roteiro que ficasse perfeito (ou pelo menos o mais perfeito que eu conseguisse).
No final das contas, eu creio que ficou muito bom. Eu faria alterações, nada muito drástico. No final do post eu falo o que é e explico o motivo.

Para quem não sabe, o Japão é muito longe do Brasil, leia-se 39 horas de viagem longe.
É lógico que não foram 39 horas voando e sim em trânsito para chegar até lá.

A passagem para o Japão é realmente bem cara. Na época nós pagamos quatro mil reais cada um. E não se enganem, a gente tentou todas as formas de achar passagem mais barata (muita pesquisa, esperando promoção, entrando de madrugada). Nada funcionou, até porque a gente fazia questão de ir na primavera que é alta temporada no Japão devido ao florecimento das Sakuras. 

Assim como em qualquer viagem, quando montamos roteiros temos que levar em conta os dias de viagem, e no caso do Japão totalizava em média 3 dias (o que é péssimo, porque perdemos muito tempo em trânsito que poderia ser aproveitado lá, mas ok, fazer o que).

Antes de iniciar, só quero lembrar que nos hospedamos apenas em Osaka e em Tokyo, as outras cidades que fomos foi tudo bate e volta.

PASSAGEM DE IDA

29/03 - 11:50 - saída de Belo Horizonte pela Gol (Obrigada, Gol, por quebrar a rodinha da mala)
29/03 - 13:30 - chegada em São Paulo

29/03 - 21:20 - saída de São Paulo (sim um BIIIIGGGGG chá de aerorporto) pela United
30/03 - 06:00 - chegada em Washington DC

30/03 - 12:20 - saída de Washington DC pela ANA
31/03 - 15:25 - chegada em Tokyo (aeroporto de Narita)

Nossa viagem não começou em Tokyo e sim em Osaka, então depois dessa longa viagem, ainda tivemos que pegar o Shinkansen (trem bala) de Tokyo até Osaka, o que foi mais ou menos mais três horas de viagem (sem contar que precisamos pegar um metrô da estação do Shinkansen até a estação perto da casa que alugamos).

DIA 1 - OSAKA
Nesse primeiro dia decidimos conhecer o Osaka Castle que fica no meio da cidade e é muito interessante. É imperdível para quem vai para Osaka porque tem um parque ao redor muito bonito também. Foi nesse parque que tivemos o primeiro contato com a Sakura.



Após a visita ao castelo, fomos ao Osaka Aquarium Kaiyuan que foi um dos aquários mais legais que já visitamos (eu posso dizer isso com propriedade, porque o Kalil ama aquário e a gente sempre vai).

Finalizamos o dia em um bairro muito interessante chamado Namba. 



DIA 2 -  NARA
No segundo dia fomos para Nara, uma cidade a cinquenta minutos de Osaka.

Em Nara tem o parque dos veados e eles ficam todos soltos. A gente compra uns biscoitinhos por 100 ienes e os alimenta.

Esse templo é realmente muito lindo. É imenso!!! E lá está sempre cheio.
Detalhe para a Sakura linda. 

Foto tirada dentro do templo.

DIA 3 - KYOTO
Fizemos bate e volta para Kyoto que fica a uma hora e meia de Shinkansen de Osaka.
Tudo em Kyoto é muito fofo e tem muita cara de Japão antigo. 

É em Kyoto fica Arashiyama, a famosa floresta de bambu.

DIA 4 - OSAKA
Foi dia de bater perna por Osaka e descobrimos sem querer uma estação de metrô que chama Sakuranomia que tem um parque de Sakuras enorme!! Quase morri do coração quando vi de dentro do metrô e descemos correndo.


De tarde fomos numa loja de Pokemon muito legal que o Kalil quase chorou o tempo todo.



DIA 5 - KYOTO
Dia de Fushimi Inari-taishi que é um parque com diversos toris vermelhos que as pessoas vão para pedir saúde e sucesso nos negócios.
Se prepare para andar MUITO! Então vá com sapato confortável e disposição.


No final do dia demos uma rápida passada no museu de mangás que o Kalil amou. Pena que fomos quando o lugar estava quase fechando.



DIA 6 - TOKYO
O dia 6 foi um dia meio morto, porque fizemos a viagem de Osaka para Tokyo que é em média 3 horas. 
Mas a noite comemos pela primeira vez no restaurante preferido do Kalil hoje em dia, o CoCo Ichibanya, que é uma rede de restaurantes no Japão que serve kare.


DIA 7 - TOKYO
Nesse primeiro dia decidimos ir para Shibuya, meu bairro preferido em Tokyo, e que tem a estação de metrô com a estátua do Hachiko, daquele filme Para Sempre ao Seu Lado, e o cruzamento mais movimentado do mundo.

Apesar de na foto parecer que estava vazio, não se enganem, estava entupido de gente.

Parece de boa, mas quando os sinais de carros fecham e abrem os sinais de pedetres esse lugar ficar uma loucura.

DIA 8 - ODAIBA
Odaiba é uma ilha dentro de Tokyo que tem que ser visitada. É lá que tem o robô enorme montado que em algumas horas específicas ele é ligado e tem um showzinho de luzes e movimentos. É bem legal mesmo.
Tire um dia inteiro para visitar essa ilha porque tem muita atração e coisa legal por lá.

Esse robô específico já foi desmontado, mas tem outro montado no lugar e parece que é ainda mais legal que esse.

Restaurante chamado Baratie temática do anime One Piece. É meio caro, mas é tão legal que vale a visita nem que seja para uma bebida e um doce (que foi o que fizemos).

DIA 9 - TOKYO
Dia de visitar o bairro diferentão de Shinjuku.

A gente acho esse bairro tão esquisito e sem nada pra fazer (A GENTE não achou muita coisa pra fazer além de andar) que a única foto do dia foi essa. Foi tirada de um andar alto de um shopping. Provavelmente tem coisa para se fazer, mas a gente não conseguiu descobrir.

DIA 10 - TOKYO
Dia do bairro nerd preferido do Kalil, Akihabara. Se decidirem ir em um domingo, a rua principal do bairro fica fechada para os carros e aberta para os pedestres andarem livremente. É bem legal mesmo.

Nunca vi tanto prédio com tanta loja e tanta tranqueira nerd para comprar.

DIA 11 - MAEBASHI
Nesse dia nós fomos visitar a cidade da minha Batian, Maebashi na província de Gunma.

Tinha um mini templo no meio da rua que encontramos e entramos para conhecer e tirar fotos.

Um parque ao lado de uma avenida principal da cidade.

DIA 12 - HAKONE
Foi uma tentativa frustrada de ver o Monte Fuji. Vale a pena ir se o tempo tiver bom, mas estava muito frio e nublado, o passeio de teleférico e outros que facilitariam ver o Monte Fuji estavam fechados devido a atividades vulcânicas, então, na minha opinião, foi um dia jogado fora. Mas o Kalil curtiu um pouco, então valeu.

Fizemos um passeio no lago com esse navio que estava lotado de turistas.

Lá atrás dá para ver um tori vermelho. Tinha como ir até lá a pé para visitar, mas estava muito frio e eu com muito mau humor para cogitar fazer isso.

DIA 13 - TOKYO
Esse foi nosso último dia no Japão. Para fechar com chave de outro nós fomos de manhã em Akihabara novamente para o Kalil se despedir e no finalzinho da tarde e à noite em Shibuya para eu me despedir.

Sim, ele levou a camisa do Galo pro Japão.
DIA 14 - DIA DE IR EMBORA
Acordamos bem cedo (bem cedo mesmo, tipo cinco da manhã) para ir embora e começamos o trajeto de retorno ao Brasil.

PASSAGEM DE VOLTA
14/04 - 11:00 - saída de Tokyo aeroporto de Narita pela ANA
14/04 - 10:40 - chegada em Washington DC

14/04 - 22:10 - saída de Washington DC (sim um BIIIIGGGGG chá de aeroporto) pela United
15/04 - 08:40 - chegada em São Paulo

15/04 - 11:55 - saída de São Paulo pela Gol
15/04 - 13:18 - chegada em Belo Horizonte

BALANÇO FINAL
A viagem foi ótima e acho que para uma primeira vez as escolhas foram boas.
É lógico que tem muita coisa que não tivemos chance de visitar e Hiroshima foi uma delas, mas era uma cidade muito longe e decidimos deixar de lado e ir em uma segunda vez.
O que eu achei que poderíamos ter feito é diminuir uns dois dias de Tokyo e colocar em Kyoto e talvez nos hospedarmos uns quatro dias por lá e visitar mais a fundo a cidade. Tokyo é uma cidade grande assim como New York e Toronto e não tem muita história e muito a cara do Japão antigo que é o que eu gostaria de ter visitado mais. 
Então, de uma próxima vez, acho que uns três dias em Tokyo é mais que suficiente e deixar mais dias disponíveis para visitar lugares que são 100% japoneses e que só encontramos lá.

Bom, povo, sei que o post ficou imenso, mas a viagem foi imensa também, ne!?
Se caso as duas pessoas que visitam o meu blog frequentemente tiverem alguma dúvida, podem me perguntar que eu respondo, ok?!

Um beijo e até a próxima!!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Saudade dos velhos tempos

Nesse momento são exatamente meia noite e quarenta e cinco e eu estou COMPLETAMENTE sem sono e ouvindo sertanejo sozinha e dançando em frente ao espelho.
O marido está com os fones dele jogando computador e eu estou aqui sozinha no quarto lembrando das minhas amigas lindas e me bateu uma saudade DE DOER!!!!

Saudade de ficar tomando cerveja a tarde toda e do nada fazer a gente cantar alto para os vizinhos chegarem na janela e aplaudirem, ou do nada a gente começar a dançar coisas esquisitas jogadas no chão (dança essa que será eternamente uma homenagem para uma pessoa muito especial que se foi cedo demais).

Ai que saudade IMENSA QUE BATEU AQUI!!!

Realmente os últimos meses antes de vir embora foram os melhores. Eu e as amigas fizemos tantas coisas que a gente não fazia normalmente, e não sei se foi tempo perdido ou se tornou os últimos meses ainda mais especiais e únicos que não serão esquecidos nunca.
O fim de semana num hotel fazenda e o conhecimento formal do amado CHITÃO, a balada numa quinta a noite que o chitão DEFINITIVAMENTE apareceu e quem não esteve lá perdeu a MELHOR BALADA DE TODOS OS TEMPOS (mas que resultou na pior ressaca da vida), as milhões de saídas, mas sempre regadas a cerveja e algumas lágrimas desnecessárias.

Outro dia uma amiga (oi, Amiga!) me mandou um texto que um cara compara a saída de uma pessoa do país com a morte (porque tem despedidas, choros, lembranças, declarações e a certeza que um dia as pessoas irão se encontrar novamente, mas não sabem quando nem como, assim como a morte) e isso é muito engraçado, porque a gente realmente sente que morreu e nasceu de novo em uma vida diferente. É como se a vida anterior tivesse realmente virado história e vai ser eternamente apenas uma lembrança, como se alguém tivesse contado o que aconteceu com uma outra pessoa, e isso dói um pouco, porque são histórias tão boas, são momentos tão especiais e engraçados que a gente não queria que estivessem apenas no passado.

Tem tanta história boa que se um dia eu e minhas amigas nos juntarmos de novo só para relembrar tenho certeza que será um fim de semana inteiro e ainda ficarão lembranças para trás.

Estou saudosista hoje e posso falar com categoria que é uma sensação bem ruim e que eu tenho que afastar de mim, porque não é o tipo de saudade que ligo e a gente marca para o próximo fim de semana, é a saudade que vou ter que engolir e continuar, porque se a gente se deixa sentir essas coisas, não dá pra sair mais não, então é por isso que sempre mudo o foco do pensamento quando essas coisas chegam na minha cabeça.

Então vou parar de escrever coisas tão sentimentais e vou apenas falar que AMO TODAS VOCÊS DEMAIS E QUE ÀS VEZES A SAUDADE DÓI DE VERDADE NO CORAÇÃO. NÃO SE ESQUEÇAM DE MIM, PORQUE NUNCA ME ESQUEÇO DE VOCÊS.









quarta-feira, 18 de abril de 2018

Um único conselho

Quando eu decidi realmente que iria deixar o Brasil e que tentaria a vida no país gelado, a primeira coisa que devo ter pensado foi: 

HORA DE PARAR DE GASTAR DINHEIRO E JUNTAR TUDO O QUE EU PUDER, certo? 

ERRADO! 

Quando eu decidi que iria mesmo deixar a família, a rotina, o trabalho e os amigos para "trás",  a primeira coisa que pensei é que teria que encontrar com todo mundo mais vezes quanto fosse possível porque no futuro, para ter a vida que eu escolhi para mim, isso seria impossível.
Então eu comecei a sair com todo mundo em todas as oportunidades que tive.
E posso falar? Foi a melhor coisa que eu fiz. Eu encontrei com minhas amigas mais de uma vez por mês, me aproximei de amigos que estava afastada por causa da correria do dia a dia, fiquei mais em casa com meus pais, aproveitei minha casa, fiz uma viagem deliciosa de fim de semana com algumas amigas e tudo isso foi muito especial e nunca será esquecido.

Se eu pudesse dar um conselho para quem quer se mudar para longe seria exatamente esse: não recuse nenhum convite para nada. O dinheiro poderia ter sim sido juntado, mas a vida que eu vivi nos últimos meses no Brasil foram os melhores de toda minha vida.

terça-feira, 13 de março de 2018

O inglês como segunda língua

Quando eu cheguei aqui e até muito pouco tempo atrás, eu me sentia bem mal por não ter nascido em um país que tinha o inglês como primeira língua. Não que eu estou recusando o Brasil e blablabla, estou falando exclusivamente da língua.
Eu tinha (tenho e sempre vou ter) dificuldade com muitas coisas porque, como já disse em outro post, o inglês sempre vai ser minha segunda língua.

Canadá, país verdadeiramente de imigrantes, tem muita gente que não é daqui, mas que vieram de países que tem o inglês como primeira língua, então a adaptação não foi assim tão complicada e trabalhar, estudar, comunicar e mesmo fazer amizades não foi assim tão difícil, já que todos aqui tem que falar inglês de um jeito ou de outro.
Eu me senti muito frustrada por não ser uma dessas pessoas que nasceram emergidas na língua e tive que aprender tudo e ter muita vergonha de muita coisa. Não entender tudo o que falar, não conseguir falar tudo o que eu quero. É muito frustrante isso!

Porém, com o tempo passando e eu me sentindo aos poucos adaptada a esse país e a esse mixer de culturas, tenho me sentido bem privilegiada por ter o inglês como uma segunda língua. Isso porque, obviamente, eu tenho uma outra língua como primeira língua. Então eu posso me sentir mais rica nesse sentido, que saí do meu país para aprender uma outra língua aqui.
Entre muitas coisas novas que eu tenho aprendido vivendo fora do meu país, eu aprendi também a língua. 
Conhecimento novo é sempre muito bom e quanto mais melhor, ne, Amiga?!

Eu ouço músicas em português e espanhol e sem precisar consultar o tão amado e antigo Vagalume eu já sei sobre o que a letra fala. Eu não falo, leio ou escrevo em italiano, espanhol ou francês, mas essas línguas tem uma semelhança muito grande com o português, então eu sei que estou um passo à frente de aprender essas línguas que uma pessoa que apenas fala ingês está.

Ao inves de me sentir inferior de não falar inglês eu resolvi me sentir feliz por ter duas línguas no meu currículo agora. Eu não posso fazer discurso em inglês AINDA, mas me comunico com qualquer um e aprendi a ser grata por isso.

Síndrome do Urso Polar

Antes de vir para cá, eu pesquisei sobre muitas coisas e li muitos relatos de brasileiros que mudaram para o Canadá para me preparar psicologicamente para o que eu ia passar e para me precaver e evitar certas coisas.

A mais importante, na minha opinião, e que eu não abri mão foi de vir no verão canadense para que meu corpo fosse aos poucos se acostumando com a queda da temperatura, passando pelo outono, início do inverno e aí o inverno rigoroso.
Posso dizer que foi uma decisão bem acertada, tanto que o inverno não me matou tanto assim e eu não sofri mito com o frio.

Mas outra coisa que eu li foi sobre a chamada Síndrome do Urso Polar. É quando as temperaturas baixas e a falta de sol fazem com o que o corpo só queira dormir, não queira sair de casa e fique cansado e desanimado o tempo todo.
Pensei comigo: "Isso não vai acontecer comigo. Eu serei recém chegada e estarei muito feliz, vou querer aproveitar a cidade e o frio será só um detalhe."
Engraçado como a gente é burro e se superestima, ne!?
Eu entrei em uma TPM brava esse mês e por coincidência fiquei de folga do trabalho, então estive três longos dias em casa sozinha. Meu Deus!!!! Que três dias horrorosos!!!! Eu fiquei num baixo astral e numa depressão sem fim. Teve um dia que eu chorei tanto que desmaiei de tarde de tanto cansaço (e acordei com a cara inchada, óbvio).
A TPM passou mas o desânimo não. 

Cheguei a conclusão que só pode ser essa maldita síndrome. Eu não quero fazer nada, NADA MESMO. Estou num sono sem fim e numa preguiça de viver!

Para abater essa síndrome, a pessoa tem que se forçar a fazer as coisas. Ela tem que sair de casa, ela tem que se exercitar, tem que aproveitar qualquer pequeno sol que tenha (para se abastecer de vitamina D) e não pode se deixar abater.
Mas é tão difícil isso, porque é uma coisa física, não é apenas psicológica, sabe?! 
Sei tudo o que tenho que fazer, mas não tenho forças.

Porém, nos últimos dias eu tenho tentado de verdade.
Outro dia meu shift começava às cinco da tarde. Ao invés de eu sair de casa meia hora antes de começar meu trabalho, saí por volta das duas e fui bater perna. Fui em duas lojas e caminhei bastante. Foi um dia que me vi mais animada e mais disposta.

Ontem eu larguei serviço às três da tarde e fui em um supermercado super longe da minha casa (um metrô e um ônibus de distância) e também fiquei bem animada (mas cheguei em casa por volta das oito e capotei por duas horas na cama).

Só queria registrar que a falta de luz solar realmente é uma coisa que o corpo sente e ele reclama. Nas últimas semanas as temperaturas tem estado mais agradáveis, mas o tempo tem sido feio e com pouquíssimo sol.

Só acho que o frio poderia continuar mas o sol dar o ar de sua graça, porque o que atrapalha a vida não é a temperatura, mas a falta de luz do sol.

Beijo, people!

terça-feira, 6 de março de 2018

Let's talk about my English...

Quando eu cheguei aqui no final de agosto (quase sete meses! Nuh! O tempo voa mesmo), eu passei por uma fase muito difícil com meu inglês. Pensei que não ia conseguir e, mesmo tendo decidido não encarar uma aula de inglês, cheguei a cogitar porque a coisa estava feia para o meu lado.

Eu nem acredito como evoluí nesse tempo. Ainda tenho MUITO o que melhorar, lógico, até porque já estou ciente de que nunca terei aquele inglês fluente e natural como o português é para mim, porque minhas primeiras palavras foram em português, eu estudei a vida inteira em português, então sei que o inglês sempre será minha segunda língua.

Quando eu entrei no meu trabalho, a moça que me entrevistou me disse que eu começaria trabalhando no estoque (sem contato com clientes), mas que com o tempo, se eu quisesse, eles poderiam me colocar com atendimento, o que resultaria em mais horas e, consequentemente, mais salário. 
Eu pensei comigo: "Aham, tá bom que eu vou conseguir isso!".
No meu último shift de 2017 eu perguntei para ela se, no final das contas, minha contratação seria apenas temporária para a época dos holidays ou se seria permanente e ela me respondeu que seria permanente se eu quisesse, e eu disse que eu queria mais horas se possível e se ela poderia me chamar mais vezes. A primeira coisa que ela me perguntou é se eu estaria disposta a encarar atendimento, porque infelizmente o que aumentaria minhas horas seria o atendimento. Eu estava mais segura, mas não tanto ainda, mas como eu sou a única que estou trabalhando aqui em casa pensei "Tentar não vai me matar?", ne? Falei que sim, estaria sim. Eu já tinha largado tudo no Brasil para estar aqui, esse seria só mais um desafio.

Já estamos em março, meus shifts tem aumentado e eu tenho encarado bem o atendimento. Não estou perfeita e estou longe disso, até porque acho que meu problema também está com o atendimento em si e não apenas com a língua, mas estou melhor do que estava há um mês atrás e tenho certeza que daqui um mês estarei ainda melhor. 

É engraçado isso, porque eu vejo claramente a minha evolução e minhas pequenas vitórias diárias:

  • No início, quando alguém falava comigo, eu não conseguia entender direito e falava "Sorry?" para a pessoa repetir e eu olhar para ela, concentrar e tentar entender. Hoje em dia o meu "Sorry?" é para quando a surdez ataca, não tem ligação necessariamente com a língua e sim com meu problema auditivo (que os próximos já conhecem. Casamento da Tata e do Henrique está aí para provar isso).
  • Eu tive muito problema em mudar minha chave e alterar do português para o inglês instantaneamente sem me embolar. E isso parece besteira, mas tive várias situações com isso. Uma vez um casal de BRASILEIROS foram na loja e eu não consegui conversar com eles em português, eu não consegui me comunicar na minha língua com eles. Fiquei lá com cara de drogada sem conseguir me expressar com eles com português, só o inglês vinha na minha cabeça.
    Uma situação que até fui zoada foi uma vez que fui trabalhar conversando ao telefone com uma amiga do Brasil e quando cheguei dentro da loja, ainda com ela no telefone, não consegui cumprimentar um simples "Hi, guys!" com o pessoal. Soltei um "Oi, gente!" e todo mundo olhou para mim sem entender. Minha amiga riu muito.
    Hoje eu já consigo trocar a chave mais facilmente e naturalmente e eu tenho consciência disso.  No meu break eu costumo ler livro em português e quando alguém me interrompe e me pergunta alguma coisa eu já consigo responder facilmente em inglês. É realmente uma vitória muito grande.
  • Usar palavras simples no português que são normais para nós, mas que não é algo que se aprende em cursos de inglês é um desafio diário. 
    Para nós no Brasil é muito simples falar para alguém pegar uma calça jeans dentro da gaveta, ou dobrar essa camisa, ou pendurar aquele vestido num cabide, ne?! Mas vocês sabe como é gaveta em inglês? E o verbo dobrar? E cabide? Pois é! Eu tive que aprender, decorar e não ter vergonha de perguntar o que era aquilo que eles me pediram da primeira vez, porque eu nunca tinha ouvido aquela palavra na minha vida!! (gaveta é drawer, dobrar é fold e cabide é hanger (top hanger = cabide de camisas; bottom hanger = cabide de calças)). É uma vida difícil para estrangeiros.
Tudo isso pode parecer besteira, mas quando a gente está falando e aprendendo uma língua nova, a gente não tem que apenas entender o que aquela palavra significa, a gente tem que decorar ela, então é um exercício de memória muito grande, não é assim tão simples.

Então sei que tenho muito o que melhorar ainda, mas ver meu progresso me ajuda muito a não desistir, a saber que é difícil mas que eu estou dando conta. 

É gratificante e estou sentindo uma realização pessoal muito agradável. Todos deveriam experimentar isso uma vez na vida. É empoderador!!!

Fui, people! Beijo