Instagram: @nicoleendo / Facebook: nicole.endo.71 (não sei porque do 71, só agora descobri a existência desse número)
terça-feira, 29 de dezembro de 2020
Retrospectiva 2020
Finalmente 2020 acabou (?)
Hoje já é dia 29 de dezembro e vou dizer que estou considerando esse ano acabado, não é possível que em dois dias mais merda vai acontecer, ne (isso não é um challenge, 2020, sabemos do que você é capaz).
E tanto sei do que 2020 é capaz que quando eu achei que o ano estava morto na semana passada, três dias antes do Natal rolou uma situação que eu pensei "NÃO É POSSÍVEL!".
Desde que o novo lockdown começou em Toronto em novembro que a turma aqui também não tem encontrado. A gente (Catalis, Bruana e as meninas) estávamos nos encontrando toda semana para tomar vinho, comer bolo e jogar BG, mas o lockdown começou e a gente parou de se ver. Já tinha mais de um mês que a gente não encontrava (às vezes a gente levava coisas pra Catallis e eles traziam para nós, mas era deixar na porta do apartamento, bater na porta e ir embora, a gente nem se via) e como era semana de Natal, a Ana falou que ia passar aqui no prédio para deixar nossos presentes e eu entregar o presente das meninas. Ela mandou mensagem quando chegou e eu e a Cath descemos e nos encontramos todo mundo no lobby do prédio por quinze minutos e todo mundo de máscara o tempo todo. Eu dei um mini abraço nas meninas por cinco segundos e nem vi elas direito, porque estava frio e elas com várias camadas de roupa, touca, mascara e cachecol, então literalmente não dava para vê-las.
Porém, esse mini abraço que eu dei foi o que causou o estresse na segunda-feira dia 21. A Ana ainda está trabalhando e a menina que trabalha com ela fez o exame do Covid e deu positivo, e a Ana teve contato com ela na quarta anterior. Como o exame demora uns dias para ficar pronto, ela só ficou sabendo na segunda, que foi quando ela me avisou. Mas ela veio até o prédio no dia anterior para a troca dos presentes, ou seja, ela esteve exposta diretamente ao vírus e eu tive exposta indiretamente. Resultado? Isolamento dentro de casa todo mundo sem poder sair da porta do apartamento até o exame da Ana sair e sabermos se ela estava infectada ou não.
No final das contas não estava. O resultado saiu no dia 25 e ficou tudo bem.
Mas não é esse o ponto, o ponto é que era dia 21 e eu tinha chances reais de estar com vírus. É o famoso não há nada tão ruim que não possa piorar, ne. Então espero que em dois dias (três contando com o dia de hoje porque ainda são nove da manhã) nada de ruim aconteça.
VAI EMBORA, 2020!!!! JÁ DEU!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
2020
Estamos no início de dezembro e ainda é muito cedo para dizer que o ano acabou, porque um mês em 2020 durou um ano, então ainda temos um ano pela frente até essa merda de ano chegar efetivamente ao fim (quantos ~anos~ eu falei nesse parágrafo?).
Eu estava aqui hoje sem nada pra fazer (que novidade) e me peguei pensando nas várias fases que vivi nesse ano bizarro e nas mil coisas que eu inventei de fazer por um tempo para ocupar meus dias.
Meu ano foi mais esquisito ainda porque durante vários meses eu estive presa fora de casa, mas que dependendo do ângulo pode-se dizer que eu estava de volta em casa também, ne. Então tem essa confusão aí.
Dentro dessa primeira fase da quarentena que a gente inocentemente achava que ia durar só 14 dias eu inventei de dançar todos os dias pra manter meu corpo em movimento hahahahah e eu DANCEI!!!!! Durante uns cinco dias eu colocava músiva e dançava. Vou falar que era gostoso, viu, eu devia ter mantido esse hábito, porque de lá pra cá eu me movimentei menos do que gostaria (ou do que a porcaria do lockdown permitiu).
Tive minha fase de planejar goals achando que esse ano ainda tinha salvação, então me planejei e tive esperanças hahahahahha (#coitada).
Tive a fase #conquistasdemim que eu ainda me importava em ser produtiva, que ficar sem fazer nada ainda era um problema muito grande.
Tive a fase que eu me senti um lixo em pessoa e que eu DEFINITIVAMENTE estava ocupando lugar no mundo e que eu estava perdendo muito tempo, com a consciência que eu nunca mais ia recuperar esse tempo perdido que foi 2020.
Tive a fase de aceitar que esse ano não está no meu controle e que eu devia encará-lo como um ano sabático sem dinheiro e sem perspectiva, mesmo que essa situação tenha sido enfiada goela abaixo e que eu não podia fazer nada para mudar.
Aí tive a fase de ficar apática e de não sentir mais nada, só acordar, viver e dormir esperando o dia seguinte chegar.
Agora estou na fase de ter esperança que 2020 está acabando (só mais um ano) e que 2021 as coisas vão melhorar, como se na virada do dia 31 para o dia 01 tudo fosse resetar e que ia tudo ficar melhor.
O problema do seu humano é não aprender com a vida. A gente (eu aqui tentando incluir mais pessoas no clube dos iludidos) fica sempre tendo esperança que as coisas vão melhorar, mas a chance de tudo ficar bem é bem ínfima, vamos ser honestos. Eu fico numa disputa de ser otimista e pessimista o dia todo, esperando que 2021 vai ser um ano melhor, mas morrendo de medo de 2020 ter sido apenas um trailer do que realmente está por vir e que esse ano HORRÍVEL e sem crescimento (a não ser da ansiedade e do desespero) foi só um preview do que ainda está por vir.
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
Desabafo que começou mal e terminou pior ainda
Ta, vamos lá. Minha nóia do momento, que não é bem do momento, eu tenho essa nóia o tempo todo mas que estou precisando meio que desabafar (e agitar um pouco os posts desse blog que dei uma afastada e tal) é o tal do dinheiro.
MEU DEUS DO CÉU, DINHEIRO NÃO SOBRA NUNCA!
Quando a gente acha que está num momento legal, que as coisas estão calmas, vem um colchão na promoção que a gente precisa, mas que não queria gastar o dinheiro agora, mas que é uma promoção muito absurda de metade do preço e a gente decide go for it; aí vem a conta de luz e de água que não vinha há dois meses porque assim que a gente muda a conta espera acumular duas de uma vez e a gente sabe que ela está pra chegar mas quando chega a gente tem um leve ataque do coração e paga com as lágrimas escorrendo pela cara.
Ser adulto é muito chato, pelo amor de Deus.
Tá, não é bem assim. Se me perguntarem se eu quero voltar a ser criança ou adolescente minha resposta é um big fat NÃO sem nem pensar, mas os trinta, com casa, com contas, com independência vem também as responsabilidades que a gente sabe que tem, né, mas que quando se tornam reais são um belo chute no saco.
Se eu pudesse escolher a melhor época da vida eu acho que escolheria o início dos vinte, quando a gente trabalha e ganha o próprio dinheiro, que a liberdade começa a aparecer e que é a melhor coisa do mundo, mas que não tem as responsabilidades de pagar conta, de trocar a merda do colchão, de fazer um supermercado, de comprar um papel higiênico, de tirar poeira dos móveis e de ter uma saúde mental merda que faz a gente ter que se isolar de tempos em tempos para cuidar para que a gente não tenha uma crise de ansiedade.
Vou te falar, ser adulto é bem legal, mas as responsabilidades são enormes. Não que quando eu tinha meus vinte e pouco eu não era extremamente preocupada com pagamento das minhas contas, com juntar meu dinheiro e com a saúde da minha conta bancária, mas é diferente, né! Convenhamos que eu juntava dinheiro para viajar, para comprar meu carro ou um celular novo, eu não juntava dinheiro para comprar um colchão novo ou uma mesa porque quando a gente recebe visita todo mundo se junta ao redor de uma mesa de centro que eu ganhei quando minha loja fechou e que não paguei nem um centavo nela.
Tudo na vida vem com uma encheção de saco, nada vem de graça e são só flores. Tudo tem um lado bom e um lado ruim para contrabalancear, mas quando a gente está num momento meio delicado (e chato, vamos dar o nome certo) de saúde mental, os benefícios não parecem tão vantajosos assim.
Estava conversando com o Kalil ontem do quanto eu me fudi quando viemos para cá. Eu perdi totalmente o controle dos meus sentimentos, dos meus pensamentos e do meu jeito, me perdi de mim um pouco, e isso é algo que me faz muito mal. Vir para cá foi uma realização de sonho muito grande, mas essa realização me tirou o eixo e já tem três anos que eu não consigo voltar ao MEU equilíbrio. Tenho que conversar isso com minha terapeuta (falei que sou essa pessoa agora que fala que vai falar com a terapeuta sobre as coisas, lembra)? Acho que sim, mas tem tanta coisa que eu quero falar com ela, conversar com ela, que uma hora de sessão não é o suficiente.
Tenho uma lista de coisas que gostaria que ela me ajudasse a entender de mim, porque acho que o problema é esse, sou eu. Eu sou muito difícil de entender e eu me sinto muito frustrada de ter que viver assim, estar dentro dessa caixa que eu vivo e que eu tenho que me sentir bem para poder viver melhor, mas ultimamente tem sido bem complicado de me sentir em casa dentro de mim. Eu não entendo o que eu quero, não entendo o que eu não quero, não entendo meus sonhos, aspirações, medos, anseios... Não entendo mais nada, e o mais difícil de tudo é admitir que a gente (a gente não, eu) não tem que ter controle e resposta e entender tudo. Os passos podem ser menores, não precisa ser sempre uma corrida para entender tudo, a vida não é uma história com roteiro, a vida é essa merda que a gente dorme bem e acorda mal e cansado sem ter feito nada no dia anterior.
Tudo bem que eu comecei esse post para falar da minha preocupação com minha conta bancária e agora já entrei numa espiral meio deprê, mas é como minha cabeça tem funcionado ultimamente. Eu começo pensando em uma coisa e quando vejo já estou com mil questionamentos na minha cabeça, questionamentos que sinceramente eu nem tinha me atinado que eu tinha.
Outro dia tive um ataque de nervoso e fui falando um monte para o pobre do Kalil (não foi em uma briga, foi em uma conversa entre eu e eu mesma enquanto ele ficava só parado olhando para mim porque eu não queria que ele falasse nada, eu queria só falar - isso foi na semana anterior que eu comecei a minha terapia) e eu meio que falava e falava e falava e eu sentia que o mundo estava todo nas minhas costas e que eu ouvia o mundo berrando para mim o tempo todo, era como se eu tivesse o mundo vivendo dentro da minha cabeça e todo mundo estivesse brigando. Eu não consigo sentir calma e paz com frequência mais, eu sinto o mundo desabar e eu não consigo saber para onde olhar e o que salvar, porque eu não consigo, no momento, ver quais são minhas prioridades.
É estranho me sentir assim, menina branca de classe média morando no exterior PORQUE QUIS privilegiada do caralho dando xilique de "mundo está nas suas costas mas você não tem um passarinho para dar água". Eu me sinto mal de me sentir mal, eu sinto o peso nas minhas costas mas olho para o lado e vejo o quanto eu reclamo de barriga cheia e o quanto estou sendo mimizenta e mimada.
"Ai, Nicole, não pense assim, todo mundo tem seus momentos. A dor do outro não invalida a nossa."
Blablabla é fácil falar e eu sei que é isso mesmo, que eu tenho direito e blablabla, mas dentro da minha cabeça eu acho ridículo me sentir assim. Menina de 30 anos com um passado ganhado numa travessa de ouro e reclamando de saúde mental?
Minha terapia é na segunda mas eu sempre tenho minhas crises fora do dia, aí quando chega na segunda eu estou ótima e tranquila, nada a reclamar. A tempestade passou e o mar acalmou.
Será que mando meus desabafos para a terapeuta e a gente conversa sobre eles na próxima consulta? Até parece, né.
Minha cabeça não para um segundo, é uma pressão interna para me levantar e fazer o que todo mundo diz que está fazendo que eu me sinto cansada e exausta demais para realmente fazer.
Ai, cansei de falar. Vou ver tv.
sexta-feira, 6 de novembro de 2020
Será?
sexta-feira, 25 de setembro de 2020
A merda que é ser imigrante
Quando uma pessoa sonha em sair de seu país, ela acha que quando conseguir todos os problemas acabaram, ne. Coitada, mal sabe ela que os problemas mudam mas eles continuam lá.
Ser imigrante é uma merda muito grande. A gente tem muito medo de tudo e de qualquer coisa. A vida não é tranquila, não é calma, a vida vai ser, POR MUITO TEMPO, instável e você vai ficar com o rabo entre as pernas com medo até de atravessar a rua fora da faixa, vai que eles me pegam, me prendem e me mandem de volta pro Brasil? Vai que isso fica nos meus records e vai ser um motivo para meu visto ser negado lá frente?
É uma merda, gente. A gente não tem paz um minuto. Atrasar um dia o pagamento do cartão de crédito porque a gente esqueceu é motivo de preocupação eterna!
Essas coisas importam? Vão ficar registradas? NÃO! A gente sabe, mas LÁÁÁÁÁÁÁ no fundinho a gente tem um medo imenso!
Nemmmmm! Por que a gente inventa de ser imigrante?























